A pecuária é a maior emissora de gases de efeito estufa do Brasil, estando associada a cerca de 60% do total de emissões do país, e ao mesmo tempo a maior causa de destruição da Amazônia, onde 90% das áreas desmatadas viram, inicialmente, pasto.
Esse grande uso de recursos naturais não é proporcional ao que a pecuária fornece de alimentos para os brasileiros: ocupando metade da área da pecuária, a agricultura fornece quase o dobro das calorias que estão nos pratos brasileiros, se consideramos apenas alimentos in natura e minimamente processados. Qual então a solução para que o sistema alimentar seja mais sustentável, garanta o direito à alimentação adequada e saudável, e ainda seja vantajosa para os produtores rurais?
Em busca de um caminho que harmonize a segurança alimentar, o aumento da renda do produtor e a regeneração ambiental, o relatório “Aumentando Renda, Respeitando o Planeta, Nutrindo Pessoas” investiga a migração da pecuária para Sistemas Agroflorestais (SAFs) vegetais.
Esta meta-análise, coordenada pela ProVeg Brasil e realizada pela OCA (Organização Cooperativa de Trabalho, Serviços, Projetos e Consultorias em Agroecologia), revela que essa transição não apenas contribui para a mitigação e adaptação climáticas, mas também representa uma estratégia crucial de transição justa, por meio do potencial de aumento de renda dos produtores rurais e uma contribuição decisiva para a segurança alimentar e alimentação saudável e adequada.
A pesquisa mostra que:
- A transição da pecuária para Sistemas Agroflorestais (SAFs) vegetais pode aumentar a renda líquida do produtor rural em 110% por hectare.
- Essa mudança de atividade faz com que a área tenha emissões negativas de carbono, já que as SAFs vegetais capturam mais gases de efeito estufa do que emite — ao contrário da pecuária.
- Em casos excepcionais, como quando a pecuária bovina de baixa produtividade dá espaço para SAFs vegetais biodiversos, com alta renda e acesso a mercados especiais, esse aumento pode chegar a até 1525%.
- As agroflorestas vegetais se mostraram potencialmente mais promissoras do que qualquer um dos tipos de pecuárias analisados (gado para corte, gado leiteiro, aves e suínos), em todos os biomas brasileiros, quando se avalia o potencial de aumento de renda para o produtor.
- Apoiando a agricultura familiar, a transição para SAFs também fomenta o emprego e a diversificação da geração de renda, podendo diminuir a migração rural. A pesquisa revelou que, para cada R$1 milhão de produção anual em SAFs vegetais, são gerados 30 empregos na cadeia, ao passo que na pecuária, em média, o mesmo investimento acarreta em apenas 7.
- Além dos dados levantados pela pesquisa, o relatório aponta para a necessidade de políticas públicas e financeiras específicas articuladas para promover essa transição.
