UMA DIETA À BASE DE VEGETAIS SALVA A VIDA DE INCONTÁVEIS ANIMAIS
O Brasil está entre os países com o maior consumo de carne per capita do mundo. Isso quer dizA pecuária industrial causa sofrimento a trilhões de animais sencientes. Dietas à base de vegetais reduzem drasticamente o número de animais submetidos a essas condições.
Animais explorados para a produção de carne
Vacas, porcos e frangos são alguns dos animais mais explorados para produção de carne no mundo. Todos eles são animais sencientes, sociais e com habilidades comunicativas.
Por exemplo, os frangos sofrem de problemas cardíacos porque foram geneticamente selecionados para crescer muito mais rápido que o normal, e os porcos vivem em locais inóspitos, e com muito pouco espaço e estímulos para seu desenvolvimento.
Todos eles serão abatidos quando sendo ainda muito jovens, com métodos que nem sempre garantem que eles não sentirão dor e estarão totalmente inconscientes.1 2 3
Peixes
Os peixes, de modo similar aos mamíferos, possuem sistemas sensoriais, e estruturas e funções cerebrais responsáveis pela percepção da dor, do medo e do estresse.4 No entanto, a procura global de peixe está aumentando, e bilhões desses animais são capturados ou criados em fazendas todos os anos. Em geral, eles morrem sufocados lentamente, sem poder respirar fora d’água, ou por outros métodos igualmente cruéis.
Ovos
As galinhas são indivíduos sociais, inteligentes e sensíveis, mas estão entre os animais mais explorados na indústria alimentícia.
No mundo, mais de 7 bilhões de galinhas são mantidas em granjas de ovos, a maioria vivendo em gaiolas minúsculas e lotadas.5 Como são selecionadas para botar muito mais ovos do que o padrão natural da espécie, e vivem em condições precárias, acidentes, doenças e fraturas são comuns, assim como a morte prematura. Assim que sua produtividade diminui, elas são abatidas — e em geral isso acontece enquanto elas ainda são muito jovens.
Por não poderem botar ovos, os pintinhos machos são descartados nos primeiros dias de vida, geralmente mortos por sufocamento ou triturados ainda completamente conscientes.
Laticínios
Para dar conta da imensa demanda por leite, as vacas, animais inteligentes e afetuosos, vivem em condições precárias e estressantes.
Como qualquer mamífero, as vacas produzem leite somente quando têm bezerros. Por isso, elas são inseminadas constantemente, e são separadas de seus filhotes logo após o nascimento. Há inúmeros relatos e vídeos de vacas que vocalizaram por dias após terem seus filhotes tirados de seus cuidados, ou que correram atrás de pessoas ou veículos na tentativa de reaver seus bezerros.
A maioria das bezerras nascidas de vacas leiteiras enfrentam o mesmo destino que suas mães, enquanto os machos são comumente vendidos para fazendas, onde passam apenas algumas semanas até serem abatidos. As vacas são geralmente abatidas assim que a sua produção de leite começa a diminuir, com poucos anos de idade.6
Animais mortos como efeito colateral da pecuária e pesca
A agricultura é uma das principais razões para este declínio na biodiversidade,7 uma vez que estamos mudando a configuração das terras em um tempo que não permite sua regeneração ou a adaptação das espécies selvagens. Um relatório da Intergovernmental Science-Policy Platform on Biodiversity and Ecosystem Services (IPBES) de 2019 mostrou que cerca de 25% das espécies de animais e plantas analisadas já estavam ameaçadas de extinção.
As florestas do mundo abrigam mais de 80% das plantas e animais terrestres,8 e quase 70% das terras desmatadas na Amazônia são usadas pela indústria pecuária.9 Ameaça similar acontece nos mares e oceanos, onde a pesca tem sido pivô de um declínio acentuado da vida marinha. Todos os anos, milhões de animais marinhos acabam nas redes de pesca como captura acidental, incluindo baleias, golfinhos, tartarugas, aves e outros.10 11
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Fontes
- Spiegel Online (2012): Regierung rügt Tierquälerei in Schlachthöfen. Available at: http://www.spiegel.de/wissenschaft/natur/schlachthoefe-arbeiten-mit-hoher-fehlerquote-tiere-leiden-unnoetig-a-840156.html [03.03.2018)
- Anil, M.H. & McKinstry, J.L. (1993). Results of a survey of pig abattoirs in England & Wales. London: MAFF Meat Hygiene Division. Reciprocation
- EFSA Panel on Animal Health and Welfare (AHAW), S. S. Nielsen, J. Alvarez, et al. (2020): Welfare of cattle at slaughter. EFSA Journal 18(11), doi:10.2903/j.efsa.2020.6275.
- Sneddon, L. U. (2019): Evolution of nociception and pain: evidence from fish models. Philosophical Transactions of the Royal Society B: Biological Sciences 374(1785), 20190290. doi:10.1098/rstb.2019.0290
- COUNCIL DIRECTIVE 1999/74/EC of 19 July 1999 laying down minimum standards for the protection of laying hens
- DeLaval (2013): Cow longevity conference. Conference Proceedings. Available at: http://www.milkproduction.com/Global/PDFs/Cow%20Longevity%20Conference%20Proceedings%20.pdf [19.03.2018]
- (2019): Summary for policymakers of the global assessment report on biodiversity and ecosystem services of the Intergovernmental Science-Policy Platform on Biodiversity and Ecosystem Services. S. Díaz, J. Settele, E. S. Brondízio E.S., H. T. Ngo, M. Guèze, J. Agard, A. Arneth, P. Balvanera, K. A. Brauman, S. H. M. Butchart, K. M. A. Chan, L. A. Garibaldi, K. Ichii, J. Liu, S. M. Subramanian, G. F. Midgley, P. Miloslavich, Z. Molnár, D. Obura, A. Pfaff, S. Polasky, A. Purvis, J. Razzaque, B. Reyers, R. Roy Chowdhury, Y. J. Shin, I. J. Visseren-Hamakers, K. J. Willis, and C. N. Zayas (eds.). IPBES secretariat, Bonn, Germany. 56 pages
- United Nations: Sustainable Development Goals. Forests: Available at: https://sdgs.un.org/topics/forests [06.12.2020]
- Cerri, C.E.P., C.C. Cerri, S.M.F. Maia, M.R. Cherubin, B.J. Feigl & R. Lal (2018): Reducing Amazon Deforestation through Agricultural Intensification in the Cerrado for Advancing Food Security and Mitigating Climate Change. Sustainability. 10, p.989
- Wagner, E. L. & P. D. Boersma (2011): Effects of Fisheries on Seabird Community Ecology. Reviews in Fisheries Science 19(3), 157–167. doi:10.1080/10641262.2011.562568
- Furness, W.R. (2003): Impacts of fisheries on seabird communities. Scientia Marina 67 (Suppl. 2): 33-45
