Política

Mais da metade dos alimentos ofertados na COP30 são 100% vegetais ou vegetarianos, segundo levantamento da ONG ProVeg Brasil

Levantamento preliminar em 19 restaurantes e quiosques da Zona Azul (área restrita que comporta pavilhões, negociações, imprensa e reuniões) nos primeiros dias do evento indica que, apesar da boa oferta, falhas na aplicação de rotulagem e custos elevados dificultam o acesso a opções sustentáveis

Um levantamento realizado pela ONG ProVeg Brasil em 19 pontos de venda de alimentos na COP30 revela que 51,2% de todas as refeições e lanches salgados disponíveis são totalmente a base de vegetais (veganas) ou vegetarianas (com uso de laticínios, ovos ou outros derivados animais). O número supera o compromisso feito pela Secretaria Extraordinária para a COP30 que, em junho, na Conferência do Clima de Bonn, na Alemanha, anunciou uma meta de 40% de alimentos veganos ou vegetarianos.

Em uma sondagem que auditou 166 pratos salgados e 70 sobremesas, a ProVeg Brasil constatou que a oferta de pratos totalmente vegetais representa 30,1% do total de refeições salgadas (50 pratos), enquanto os vegetarianos somam 21,1% (35 pratos). A oferta de sobremesas também se destacou, com 47% das 70 opções sendo totalmente vegetais.

“A alimentação é um tema central na pauta climática, especialmente no Brasil,” afirma Stefany Guerreiro, Gerente de Projetos de Alimentação e Nutrição da ProVeg Brasil. “Não podemos discutir a crise climática sem falar sobre os sistemas alimentares, e a transição para dietas ricas em vegetais é uma das soluções mais eficazes para uma pessoa reduzir seu impacto no clima. Atualmente, cerca de 60% das emissões de gases de efeito estufa do Brasil estão associadas à pecuária. A COP30, ao sediar esse debate, tem a responsabilidade de ser um exemplo prático. Nosso levantamento buscou verificar essa coerência”, completa.

A ProVeg Brasil tem atuado proativamente pela predominância, diversidade e qualidade da alimentação vegetal na COP30 desde as fases de planejamento do evento. A organização estabeleceu um diálogo com a Secretaria Extraordinária para a COP30, oferecendo apoio técnico para a qualificação das opções vegetais e treinamento durante o evento de apresentação aos operadores selecionados no Hangar, em Belém. O objetivo foi reforçar a importância das dietas à base de vegetais como solução climática e disponibilizar suporte para a implementação.

Pontos Críticos: Carne Bovina, Preço e Sinalização

Apesar dos números positivos, a ProVeg Brasil identificou problemas que podem oferecer barreiras ao acesso das opções sustentáveis.

O levantamento apontou que 12% dos pratos e lanches salgados propostos contêm carne bovina, produto que emite 99,48 kg de carbono equivalente por quilo. Esse valor é mais de 100 vezes maior do que as emissões produzidas por um quilo de ervilha, que é uma fonte vegetal e saudável de proteínas. “A presença deste, que é o alimento de maior pegada de carbono, em um evento focado na crise climática, é um ponto de atenção”, destaca Guerreiro.

Outro desafio é o custo elevado de algumas refeições completas (almoço/jantar) à base de vegetais que, por contarem com insumos em geral mais baratos, deveriam ser mais acessíveis ao consumidor. “O preço pode também ser um incentivo ao consumo de alimentos mais sustentáveis”, comenta Guerreiro.

Além disso, foram identificados problemas de usabilidade nos cardápios. Dos 19 locais analisados, 7 apresentavam falhas na sinalização das opções vegetais, com falta de aplicação consistente de ícones indicativos. “Na prática, o consumidor encontrava cardápios onde os ícones simplesmente não eram usados, ou eram aplicados de forma esporádica. Isso torna a identificação das opções vegetais pouco intuitiva, exigindo que o consumidor verifique ativamente cada ingrediente”, explica Guerreiro.

Outra questão foi o acesso à bebidas elaboradas (cappuccinos, lattes, etc.). Apenas 34,6% (9 de 26) ofereciam uma alternativa láctea vegetal (leite de aveia, soja, etc.). A maioria (65,4%) era preparada exclusivamente com laticínios de origem animal, limitando as opções para o público que opta por opções mais sustentáveis ou intolerantes à lactose. “É importante notar que, por litro, o leite de vaca requer para sua produção 13 vezes mais terra do que o de leite de soja. É sabido que o desmatamento figura como o maior emissor de gases de efeito estufa do Brasil, e que a pecuária tem relação direta com esse problema, daí a importância de aumentar as opções de leites vegetais”, lembra Guerreiro.

Contato para a Imprensa:

Victoria Sena

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Aline Baroni

(41) 987252296

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