O relatório “Aumentando Renda, Respeitando o Planeta, Nutrindo pessoas“, lançado pela ProVeg Brasil em novembro do ano passado, durante a COP30, foi citado no relatório oficial elaborado pelo Enviado Especial para Agricultura Familiar da COP30, Paulo Petersen. O documento reúne contribuições para os debates da Conferência do Clima das Nações Unidas e apresenta recomendações para acelerar a transformação dos sistemas agroalimentares no Brasil, ressaltando a importância da redução do consumo e produção de produtos de origem animal. A pesquisa da ProVeg Brasil apresenta dados que mostram a viabilidade financeira e aspectos de transição justa na transição produtiva de diversos tipos de pecuária para modelos mais sustentáveis e alinhados com a segurança alimentar da população, como as agroflorestas.
A referência ao estudo ocorre em meio à participação da ProVeg Brasil em painéis, coletivas de imprensa e espaços de escuta da sociedade civil promovidos ao longo da preparação para a COP30. No evento, a organização também contribuiu em debates, painéis e coletivas de imprensa oficias realizadas com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), a Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (CONTAG) e outros.
“Ter nossa pesquisa referenciada em um relatório oficial elaborado por uma das principais autoridades em agricultura familiar e agroecologia do país reforça a proposta de um sistema agroalimentar mais sustentável e justo, e portanto menos dependente da pecuária. É um reconhecimento de que a ciência, sociedade civil e os produtores rurais estão alinhados nesse compromisso de transição produtiva, que está fundamentada em evidências científicas e socioeconômicas sólidas”, afirma Aline Baroni, Diretora Executiva da ProVeg Brasil.
O estudo analisou diferentes contextos produtivos em todos os biomas brasileiros e identificou que sistemas agroflorestais voltados à produção de vegetais podem superar economicamente a pecuária em todos os cenários. Os resultados apontam um aumento mediano de 110% na renda líquida por hectare para produtores que realizam a transição da pecuária bovina extensiva, podendo ultrapassar 1.500% em casos excepcionais de conversão de pastagens degradadas em sistemas agroflorestais biodiversos com acesso a mercados diferenciados e pagamentos por serviços ambientais.
Além dos ganhos econômicos, o estudo destaca benefícios ambientais relevantes. Enquanto a produção animal está associada a elevadas emissões de gases de efeito estufa, a produção de alimentos vegetais em sistemas agroflorestais funciona como sumidouro líquido de carbono, ou seja, captura mais gases do que emite. Eles também contribuem para a restauração de áreas degradadas, o aumento da retenção de água no solo e a maior resiliência das propriedades rurais frente aos impactos das mudanças climáticas. A pesquisa também conclui que esses sistemas podem gerar a mesma receita utilizando até 12 vezes menos terra do que a pecuária convencional, o que oferece uma solução para o desafio do desmatamento enfrentado pelo Brasil.
Para a ProVeg Brasil, a inclusão da pesquisa no relatório reforça a relevância do debate sobre a transição da pecuária para sistemas agroflorestais vegetais. Além de apresentar evidências sobre os benefícios econômicos e ambientais dessa transição, o documento aponta a necessidade de ampliar políticas públicas, mecanismos de financiamento, assistência técnica e acesso a mercados para viabilizar e expandir a adoção desses sistemas produtivos.
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