UMA DIETA À BASE DE VEGETAIS E SEUS EFEITOS POSITIVOS NA SAÚDE

Já é amplamente reconhecido que dietas à base de vegetais oferecem diversos benefícios e podem ajudar na prevenção e tratamento de diversas doenças crônicas não transmissíveis.

Vamos prevenir doenças cardiovasculares?

No Brasil, a maior causa de morte atualmente são as doenças cardíacas. São problemas que podem, muitas vezes, ser evitados ou revertidos por meio de uma alimentação saudável. Um estudo da Universidade de Oxford, que contou com 11 mil participantes (dos quais 6 mil eram vegetarianos e 600 veganos), mostrou que os níveis de colesterol total e LDL eram maiores entre os que consumiam produtos de origem animal. Comparados a eles, o risco de desenvolver doenças cardiovasculares era 24% menor em pessoas que seguiam uma dieta vegetariana a longo prazo, e 57% menor entre os veganos. Quanto mais carnes, laticínios, ovos e gordura animal os voluntários consumiram, maior a chance de morte por doenças cardiovasculares, enquanto os que não consumiam carne tiveram uma queda geral de 20% na mortalidade.1 2

O que a ciência diz sobre diabetes

Para minimizar o risco de diabetes, a recomendação é seguir uma dieta com baixos teores de gordura saturada e açúcar, e maior consumo de fibras e de gorduras insaturadas saudáveis. Essa é descrição de uma dieta a base de vegetais, especialmente as com alto consumo de alimentos

Os benefícios de uma dieta vegetariana ou vegana com alto consumo de alimentos  in natura e minimamente processados, e com preferência para alimentos integrais, já são bem conhecidos na literatura médica. Um estudo chamado “Adventist Health Study”, que incluiu 96 mil voluntários, mostrou que a incidência de diabetes tipo 2 aumentou proporcionalmente com um aumento no consumo de produtos de origem animal. Os veganos, seguidos dos vegetarianos, se mostraram menos predispostos a desenvolver diabetes.3 Diversos outros estudos chegaram a conclusões similares.

Mas uma dieta à base de vegetais é positiva não apenas para prevenir a doença, mas também para tratá-la. Um estudo clínico de 2006 atribuiu a voluntários, de forma aleatória, diferentes dietas — a dieta recomendada pela American Diabetes Association e uma dieta vegana baixa em gorduras. Depois de 22 semanas, 43% dos participantes que seguiram uma dieta vegana e 26% dos que seguram a dieta preconizada pela Associação puderam reduzir a medicação para diabetes.4

ONU classifica carnes como cancerígenas

Prevenir e tratar doenças cardiovasculares e diabetes já deveria ser suficiente para nos convencer a ter uma alimentação rica em vegetais. Mas tem mais! Em 2015, a Organização Mundial da Saúde (OMS), baseada em mais de 800 estudos científicos, classificou carnes processadas (tais como bacon, presunto, salsichas) como Grupo 1 de carcinogênicos, afirmando que existem evidências suficientes para afirmar que esses produtos causam câncer. Além disso, carnes vermelhas foram incluídas no Grupo 2A, o que quer dizer que são prováveis cancerígenas.5

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Fontes

  1. Appleby, P. N., M. Thorogood, J. I. Mann, et al. (1999): The Oxford Vegetarian Study: an overview. The American Journal of Clinical Nutrition 70(3 Suppl), p. 525S–531S.
  2. Thorogood, M., J. Mann, P. Appleby, et al. (1994): Risk of death from cancer and ischaemic heart disease in meat and non-meat eaters. BMJ. 308, p. 1667–1670.
  3. Olfert M.D., Wattick R.A. (2018): Vegetarian Diets and the Risk of Diabetes. Curr Diab Rep. 2018;18(11):101. Published 2018 Sep 18. doi:10.1007/s11892-018-1070-9
  4. McMacken M, Shah S. (2017): A plant-based diet for the prevention and treatment of type 2 diabetes. J Geriatr Cardiol. 2017;14(5):342-354. doi:10.11909/j.issn.1671-5411.2017.05.009
  5. WHO (2015): Q&A on the carcinogenicity of the consumption of red meat and processed meat. Available at: http://www.who.int/features/qa/cancer-red-meat/en/ [15.03.2021].