Superlist Environment Europe 2026, é como se chama o primeiro estudo de benchmark que avalia de que forma os maiores supermercados da Europa estão a alinhar as suas estratégias climáticas com uma das alavancas mais poderosas que controlam: a diversificação proteica.
Para os retalhistas alimentares, o equilíbrio proteico já não é uma métrica de sustentabilidade de nicho. Está a emergir como um indicador fundamental de credibilidade climática, resiliência comercial e relevância a longo prazo num sistema alimentar sob pressão. Eis o que mostram os dados mais recentes e por que motivo isto é importante.

Porque é que o equilíbrio proteico está no centro da ação climática
Cerca de um quarto das emissões causadas pelo ser humano provêm do sistema alimentar, em grande parte devido à elevada dependência de produtos de origem animal, o que alerta para a necessidade de diversificação proteica.1 Para os supermercados, esta realidade reflete-se claramente na sua própria pegada: cerca de 90% das emissões do retalho situam-se no Âmbito 3 (Scope 3), impulsionadas em grande parte pelas cadeias de abastecimento agrícolas.2
Aumentar o peso de proteínas de origem vegetal nas vendas não é, portanto, algo apenas “agradável de ter”; é uma das formas mais rápidas e escaláveis de os retalhistas reduzirem as emissões, mantendo a acessibilidade e a liberdade de escolha para os consumidores.3
A ciência é igualmente clara quanto ao destino necessário para nos mantermos dentro dos limites planetários. Dietas alinhadas com a “Dieta de Saúde Planetária” da Comissão EAT-Lancet — criada por 70 cientistas de renome de 35 países — exigem um reequilíbrio substancial, sendo crucial que a alimentação de todos seja rica em vegetais. Em termos de retalho, isto traduz-se numa transição para cerca de 60% de alimentos de origem vegetal e 40% de origem animal nos grupos alimentares ricos em proteínas até 2050.4
O Superlist Europe 2026 coloca uma questão simples, mas poderosa: estarão os supermercados europeus a caminhar, efetivamente, nessa direção?
A conclusão crucial: a ambição está a aumentar, o impacto não
Em oito mercados europeus e 27 grandes retalhistas, o Superlist revela uma consciencialização crescente sobre a diversificação proteica, mas, até agora, resultados limitados.
- Dois terços dos supermercados reconhecem agora que a alimentação rica em vegetais é relevante para as suas estratégias climáticas.
- Apenas cerca de metade definiu metas mensuráveis para aumentar as vendas de proteínas de origem vegetal.
- Apenas 12 retalhistas divulgam as percentagens associadas à sua diversificação proteica.
- As reduções reais de emissões continuam fracas, com as emissões totais de muitos retalhistas ainda a aumentar, apesar dos compromissos climáticos.
Em suma, o dinamismo está a crescer, mas o setor ainda não está a tomar as medidas necessárias para inverter a curva de emissões.
Os líderes mostram o que é possível e comercialmente viável
Um pequeno grupo de retalhistas está a demonstrar como são as estratégias proteicas credíveis na prática.
Os pioneiros holandeses Os supermercados holandeses destacam-se em quase todos os indicadores. Albert Heijn, Jumbo e Lidl Países Baixos:
- Divulgam publicamente a sua repartição proteica sobre o total de vendas anuais;
- Comprometeram-se com uma meta de rácio de proteína de 60:40 (vegetal versus animal) até 2030, alinhada com a “Dieta de Saúde Planetária”;
- Integram as metas proteicas diretamente nos seus roteiros climáticos.
Crucialmente, estes retalhistas estão também a testar alavancas comerciais — desde preços e promoções até à disposição nas prateleiras — para mudar ativamente o comportamento de compra, mostrando que a diversificação proteica pode ser operacionalizada em grande escala.
Discounters acima da média
Em vários mercados, o Lidl classifica-se consistentemente entre os melhores desempenhos, combinando roteiros climáticos detalhados com relatórios e metas proteicas em países como os Países Baixos, a Alemanha e a Polónia.
Isto reforça uma conclusão fundamental do Superlist: vender mais alimentos de origem vegetal não é uma estratégia de elite (premium). Os discounters estão a demonstrar que o reequilíbrio proteico pode andar de mãos dadas com a acessibilidade económica, a eficiência e margens sólidas.
O equilíbrio proteico está a tornar-se um teste de credibilidade
O Superlist Europe 2026 deixa uma coisa clara: o equilíbrio proteico está rapidamente a tornar-se um “teste do algodão” para uma liderança climática séria no retalho.
Os retalhistas que não o abordarem enfrentam múltiplos riscos:
- Risco climático: perder a alavanca de maior impacto para as reduções de Âmbito 3 (Scope 3).
- Risco político: ficar desalinhado com as estratégias alimentares nacionais e a futura regulamentação.
- Risco comercial: perder relevância à medida que os consumidores, o setor da restauração e os fabricantes aceleram a diversificação proteica.
Em contrapartida, os líderes estão a posicionar-se no centro de um mercado em rápido crescimento de alimentos acessíveis e ricos em produtos vegetais, ao mesmo tempo que reforçam a resiliência da cadeia de abastecimento e a credibilidade climática.
O que precisa de acontecer a seguir
O Superlist não se limita a classificar o desempenho; aponta um caminho claro a seguir. Para os retalhistas empenhados em alinhar a ambição climática com o impacto no mundo real, destacam-se três ações:
- Medir e divulgar anualmente a repartição proteica, tanto no total de vendas como nas categorias ricas em proteínas.
- Definir metas com prazos determinados tanto para aumentar as vendas de proteína vegetal como para diminuir as de proteína animal, em linha com a “Dieta de Saúde Planetária”.
- Integrar a transição proteica nos roteiros climáticos, com reduções de emissões quantificadas e planos de execução comercial.
As ferramentas já existem. Os líderes já estão a agir. A questão agora é saber se o resto do setor do retalho europeu irá seguir o exemplo.
O Superlist Environment Europe 2026 é uma colaboração entre a Questionmark, a ProVeg International, a WWF Países Baixos e a Madre Brava.
Adaptado de artigo de Gemma Tadman, Business Communications Manager da ProVeg International
Referências:
- Poore J, Nemecek T. Reducing food’s environmental impacts through producers and consumers. Science [Internet]. 2018 [cited 2024 Feb 22];360(6392). Available from: https://ora.ox.ac.uk/objects/uuid:b0b536495e93-4415-bf07-6b0b1227172f ↩︎
- Questionmark Foundation, Winkel, Deborah; Haan, Gustaaf; de Jong, Dore, van Engen-Cocquyt, Willem; Charles, Ambre. Superlist Environment Europe 2026. Accessed 2026-01-13. ↩︎
- Madre Brava, Quantis. Biggest bang for the buck: cost-effective pathways for climate targets in German food retail, (2025). Available at: https://www.google.com/url?q=https://cdn.prod.website-files.com/677d312731ae664a70dacd6c/681d1d75d9546383e9cb1676_biggest-bang-for-the-buck-cost-effective-pathways-to-climate-targets-in-german-food-retail.pdf&sa=D&source=docs&ust=1768817089224032&usg=AOvVaw3TYbRMSkiR7aINIaUq7aKv Accessed 2026-01-19. ↩︎
- Questionmark Foundation, Winkel, Deborah; Haan, Gustaaf; de Jong, Dore, van Engen-Cocquyt, Willem; Charles, Ambre. Superlist Environment Europe 2026. Accessed 2026-01-13. ↩︎






